No país, serviço está disponível para smartphone no Rio e em São Paulo,
onde já provoca protestos por concorrer com quem cumpre certificação específica
A polêmica já se espalha em outros locais e logo pode desembarcar por
aqui. Aplicativo para smartphones que conecta passageiros e motoristas, o Uber
vem enfurecendo taxistas, que vociferam contra a concorrência considerada
ilegal e desleal.
Criada há cinco anos nos Estados Unidos, a startup hoje opera em 152
cidades de 42 países, em muitos dos quais já ocorreram protestos e tentativas
de interrupção da atividade. Rio de Janeiro e São Paulo são as duas primeiras
localidades brasileiras a dispor do serviço. Ainda não há uma previsão para o
início do trabalho no Rio Grande do Sul.
A Uber se apresenta como uma empresa de tecnologia que oferece a
plataforma para interação. Define-se como um serviço de “carona” de alto
padrão, com carros novos, seguro e agilidade no atendimento. Para promover sua
estreia em SP, anunciou que a modelo Alessandra Ambrósio foi a primeira a usar
o serviço em São Paulo para ir à festa oferecida pelo príncipe Harry no
Consulado Britânico em São Paulo.
Queda de até 40% para os regularizados
Não há condutores contratados. O passageiro interessado faz um chamado pelo app, que localiza um carro disponível nas redondezas. É possível estimar o custo do trajeto – mais elevado do que o do táxi comum – antes de partir.
No Brasil, a lei número 12.468, de agosto de 2011, regulamenta a
profissão de taxista e prevê “certificação específica, emitida pelo órgão
competente”. “É atividade privativa dos profissionais taxistas a utilização de
veículo automotor, próprio ou de terceiros, para o transporte público
individual remunerado de passageiros”, diz o texto.
Essas justificativas embasam a indignação pelas ruas: a informalidade do
Uber estaria prejudicando a categoria que cumpre as exigências das autoridades
para exercer a função.
– Estamos analisando o que podemos fazer juridicamente. É desleal, uma
grande covardia, uma libertinagem – condena André de Oliveira, taxista no Rio
de Janeiro e presidente da Associação de Assistência ao Motorista de Táxi do
Brasil.
Há 12 anos no volante, Oliveira participou de um protesto e tenta
disseminar seu descontentamento pela internet: “O câncer silencioso se espalha
na praça. Seu nome é Uber”, publicou ele em seu perfil com 2 mil seguidores no
Facebook. De acordo com a associação, que trabalha com dados compilados no Exterior,
a ameaça virtual pode representar uma queda de até 40% no faturamento do
profissional regularizado.
residente do Sindicato dos Taxistas de Porto Alegre, Luiz Nozari
acredita ser inevitável a chegada do “modismo” ao Estado, mas não faz previsões
sobre o tamanho do impacto no setor.
– Somos contra porque vai nos tirar serviço. Talvez nos atinja de forma
significativa, não se sabe. O órgão gestor tem que ficar de olho para punir os
abusos – diz Nozari.
Vanderlei Cappellari, diretorpresidente da Empresa Pública de Transporte
e Circulação (EPTC), informou por meio da assessoria de imprensa que um serviço
de transporte pago e não regulamentado é considerado clandestino. Quem for
flagrado em ação estará sujeito às penas previstas na legislação, como multa e
recolhimento do automóvel.
Como funciona
O aplicativo Uber está disponível em 152 cidades de 42 países. Rio de Janeiro e São Paulo são as primeiras localidades a dispor do serviço no Brasil.
- Ao fazer o cadastro, pelo smartphone, deve-se fornecer um número de
cartão de crédito, de onde será debitado o valor da corrida. Também é possível
pagar por meio do PayPal.
- Quando mais de uma pessoa é transportada, o pagamento pode ser
dividido entre o grupo, com parcelas iguais debitadas de cada cartão de
crédito.
- O funcionamento é similar ao dos aplicativos de táxi. Via GPS, o Uber
identifica a localização do passageiro que solicita um carro e busca o condutor
disponível mais próximo. É possível estimar o valor do trajeto antes de partir.
- Há diversas categorias de veículos (convencional, utilitário, luxo),
com variação de preços. A corrida geralmente é mais cara do que a de um táxi
comum. O site fica com uma porcentagem do total.
- Após a viagem, é possível avaliar o serviço.
- O motorista
interessado em se cadastrar no Uber pode usar seu carro particular, que deve
estar segurado, e escolher os horários em que vai trabalhar.






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